terça-feira, 29 de julho de 2008

Sozinho na cidade. Nem eu estou aqui. Uma notícia que me cortou, assim com eu já esperava que me partisse. Em outro lugar uma foto, desejando ser ali meu novo lar. Olho para trás e tento enxergar minhas vitórias. E elas estão lá. Não sei se isso dói mais: a dor da vitória tão perto e tão longe, ou a dor de ainda não ser exatamente ela.
E agora quase nada importa mais, por muitos caminhos passei. E nenhum desses é tão difícil quanto às antigas batalhas. O que vier vai ser totalmente novo.
Todo esse tempo talvez tenha vindo pensando o contrário do que deveria pensar. Embaraçoso perceber que o caminho sempre esteve aberto e nunca abri as portas. Pelo menos agora não existem nem mais paredes.
Estou sozinho, e só devo ficar. Muitos anos se passaram sem nem ser nada. Hoje, ao menos sou só.
No fundo acho que tudo isso que digo não passam de incertezas.
A única certeza é que não estou aqui para passar em vão. Devo levantar todas as cortinas. Abrir as janelas em meu corpo, deixar a luz sair. Iluminar à minha volta. E mesmo sem lugar para ir ter coragem de ir. Sem pretensão de chegar a qualquer lugar que não seja os lugares que vierem.
E neles permanecer e fluir também. Como as estações mudam e os dias passam. Assim quero que retorne eu dessa viagem.
Viagem que é só.

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