terça-feira, 29 de julho de 2008

Sozinho na cidade. Nem eu estou aqui. Uma notícia que me cortou, assim com eu já esperava que me partisse. Em outro lugar uma foto, desejando ser ali meu novo lar. Olho para trás e tento enxergar minhas vitórias. E elas estão lá. Não sei se isso dói mais: a dor da vitória tão perto e tão longe, ou a dor de ainda não ser exatamente ela.
E agora quase nada importa mais, por muitos caminhos passei. E nenhum desses é tão difícil quanto às antigas batalhas. O que vier vai ser totalmente novo.
Todo esse tempo talvez tenha vindo pensando o contrário do que deveria pensar. Embaraçoso perceber que o caminho sempre esteve aberto e nunca abri as portas. Pelo menos agora não existem nem mais paredes.
Estou sozinho, e só devo ficar. Muitos anos se passaram sem nem ser nada. Hoje, ao menos sou só.
No fundo acho que tudo isso que digo não passam de incertezas.
A única certeza é que não estou aqui para passar em vão. Devo levantar todas as cortinas. Abrir as janelas em meu corpo, deixar a luz sair. Iluminar à minha volta. E mesmo sem lugar para ir ter coragem de ir. Sem pretensão de chegar a qualquer lugar que não seja os lugares que vierem.
E neles permanecer e fluir também. Como as estações mudam e os dias passam. Assim quero que retorne eu dessa viagem.
Viagem que é só.

domingo, 27 de julho de 2008

Sonhos

Eu estou tentando buscar alguém. Em sonhos. E ela sempre vem. Em sonhos. Ela está ali só. E eu também passo e só. Na verdade talvez eu tenha ido em busca de mim mesmo. Como quem sai sem nada a não ser a certeza de se buscar. E assim, voltei a sonhar. Enterro os sonhos passados. E o passado. Para a visão de vários futuros. E sonhos. Eu sou um homem que sonha. Um homem. Um sonho.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

All things must pass

O que mais estou descobrindo é que todas as coisas devem passar. Em vários sentidos. Porque o tempo não pára, e porque elas devem cumprir seu significado. Por isso elas devem passar. Depois que veio, deixou algo. As coisas têm um ciclo. O importante é não passar um ciclo várias vezes. Assim vou chegando mais perto de mim. Mas tem algo fora do lugar. Logo encontro. Eu não sou daqui. Quero um dia estar. Navegando pelos desconhecidos caminhos do mundo das respostas. No tempo, com suas teorias e descobertas. Através da unidade de nós mesmos. E do reconhecimento da beleza. Ainda volto.
Qeum já acordou correndo no meio da noite? Com o vazio no coração?
E quem teve a coragem de buscar.
Quando à noite, as questões correm profundas, é absurdo pensar em quem somos?

Lucidez

Não estar
Não conseguir estar
Passar
Despercebido
Passar
Sem sentir
Tentar
Não chegar
Ouvir
Desligar
Ir
Perder
Jogar
Entender
Dois
Em pares
Talvez
Algo bom?
Voltar
Assunto
Não ouvir
Largada
Se perder
Na corrida
Importa
Ser o que é
Caminho
Não conheço outro
Entorpecido
Confortavelmente

terça-feira, 15 de julho de 2008

Caminhos

Às vezes me pergunto se a paz vou encontrar mesmo. Porque estou num período de paz, só que me pego perguntando até quando vai durar, ou se ela é tão real assim, se não estou fugindo de algumas questões. Mas, agora é diferente. Não fujo mais da paz, tento fixá-la. Não esperar momentos de paz, mas uma vida de paz. A coisa mais importante de amadurecer é isso: amadurecer. Porque daí você é por si só. Não sei se eu, mas costumava dar muito valor a pensamentos de pessoas mais velhas e inteligentes. Mas eu também penso. E posso pensar por mim. Por isso não caio mais naqueles pensamentos clichês como "a felicidade é uma reunião de momentos felizes". Acho que podemos produzir um pouco mais do que isso. Saber que felicidade é ter momentos bons e saber lidar com as coisas que não acontecem da forma como esperávamos. Quebrar a cara e não se arrasar por isso é felicidade também. É a ilusão do perfeito. Do momento em que as coisas são plásticas.
Então faço meu caminho, tento sempre ir além dos limites da minha inteligência, como se treina um músculo. Aos poucos. Então percebemos como as pessoas, apesar de ficarem velhas, ainda são imaturas. Param de pensar, se acomodam e levam a gente a acreditar neste triste fim. De ir levando. Pois não quero isso. Me levanto e me junto aos bons, acreditando sempre num caminho a seguir.
Agora, a realização é a meta. E, para quem não compreender isso, por mais que se viva os momentos, sempre vai olhar para o espelho e dificilmente vai saber responder "o que eu sou?".

sábado, 12 de julho de 2008

Ontem

Tão linda ontem

Mais do que quando a encontrei

E eu ontem

Mais feliz do que quando a conheci

Ontem

As coisas não aconteceram como quis

Mas tudo era como queria

Eu estava lá

E agora não mais

Mas está tudo bem

Realmente bem

A tristeza que sinto por isso

É quase uma felicidade

Porque sei que ainda posso sentir

E melhor que antes

Por enquanto

Aquilo de quando a conheci

Foi mais uma linda noite

Linda como ela e eu, aquela noite

E mesmo que eu esteja tão confuso sobre tudo isso

Sobre se foi tão real assim

Ou que eu esteja iludido

Não me importa tanto assim

Não sei e precisava tentar

E ontem,

Ontem eu tentei

Agora eu sei

Mas só de ontem

Outro dia é outra estória

domingo, 6 de julho de 2008

Asas

Os dois se desencontraram como bando de aves em nevoeiro
E no meio ficou algo meio assim, meio estranho, um pouco espalhado, sem as partes
Algumas partes, pedaços do passado
Outras desejos de futuro
Pedaços de um e pedaços de outro
E aquele que sempre teve suas partes,
foi sempre solidário emprestando as suas
Logo suas asas ficam prontas
E faz a pergunta:
"e as suas, quando nós vamos usá-las?"

Um dia

Um Dia

Quem fez o que precisava?

Quem perdeu a chance que teve?

Quem viu a diferença do céu escuro para o claro?

Quem chorou pela situação?

Quem esteve presente a tudo isso e indiferente?

E o resto dos dias?

Dos dias que vieram antes de nós e que virão depois de nós,

e mesmo, os dias que passarão por nós?

Quem vai tentar e saber que todo dia é o dia certo?

E assim será até quando mudarem as estações,e mudarem de novo.

Foi você que encontrou o que procurou?

Foram os ventos que mudaram a direção?

Campos verdes e estradas em sonhos até você ir ao chão, procurando o Dia,

só que você não percebe que é o Dia que te encontra

Tantos dias, todos iguais

A caça

Senta, que agora não há porque ir

Vê e escuta, o Sol sempre nasce depois

Mas antes navegue nas noites, sob as estrelas

Isso acontece para poucos, e poucos são como você

Um farol no porto, uma ilha em pleno mar

A mais alta árvore da floresta

E a mais sutil brisa do deserto

Tudo isso é o que falam

Mas saber, não é acreditar

Então levante que agora é o momento

Cuspa o sangue de dentro da boca

Encontre a rocha mais forte neste solo

Lá de cima atire todos os seus arpões

E enquanto caem um a um

Sob o Sol e alguns durante a noite

Faça de tudo o seu próprio território

O lugar perdido

Eu acho que eu vim de volta

De onde eu só tenho lembranças

E hoje eu vejo o momento cego

Aprisionado em tempestade

Detrás do muro

E embaixo da terra

Julgado e condenado

Gritando sem nada

Hoje os dias não parecem iguais àqueles

Talvez eu nunca tenha ido

Mas tudo está mudado

Como um paraíso perdido

Um mundo sem passado

E tudo parecia já claro

Ainda era cedo

Para parar

Aquele lugar perdido

Ainda está lá fora

Eu quero ir

E não esquecer

Os caminhos trilhados

Eu sei que tenho minhas razões

Essa tarde

Essa tarde eu tive um sonho,
sonhava com um papel escrito por você, dizendo”sinto sua falta”,
mas como sou avesso aos sonhos(ou avesso às crenças),
vi naquilo um mau-agouro
Então talvez eu tenha trocado minhas crenças, mas não desisti, fui em frente
E, no sonho você era minha,
Diga-me, você passou pela minha janela?
Eu sei que deixei elas abertas,
mas não esperava que você fosse bater nela

Amanhã

Eu só quero que o amanhã chegue mais uma vez.

Eu quero que o amanhã chegue para eu poder acreditar

Para tentar, para correr os riscos, para conseguir

E, se eu cair no chão, levantar com uma jogada pronta

Ainda quero ver o amanhã, porque eu quero ver também o que vem depois dele

O que mais do mesmo vai acontecer?

Acredito no amanhã por um tempo, até quando ele chegar

Depois eu me esqueço dele

Só nele eu posso me sentir, ontem e hoje são pedaços.

E eu desapareço nele, porque além de tudo, só o amanhã quer me sentir

Então finco o pé nos amanhãs, eles são o melhor de mim

Nada vai me jogar de volta no hoje. Respire fundo essa noite.

Tudo espera o amanhã, sem se lamentar pelo confuso e indeciso hoje.

Castelo de Cartas ou Pirâmide de Vidro

Têm horas que eu me sinto não como quem partiu ou morreu, mas que eu não me sinto.

Têm horas que eu penso, mas não existo.

Têm horas em que eu estou rodeado de gente, mas não deixo de me sentir sozinho.

Há lugares em que minha mente está, mas nunca sei dizer onde nem porquê.

Há pessoas que me agradam,mas nunca estou com elas.

Penso coisas que são boas, mas nunca consigo senti-las.

Posso estar em todos os lugares, mas é indiferente se nunca permaneço neles.

Existem coisas que gostaria de compartilhar, mas nunca encontro quem eu gostaria que as escutasse.

Cometi erros dos quais me arrependi, mas nunca tive a chance de provar o contrário.

E houve erros dos quais me arrependi, mas nunca deixei de cometê-los novamente.

Aconteceram momentos em que tudo poderia se encaixar, mas eles nunca perduraram.

Algumas vezes eu ri, mas sempre acabei chorando.

Vezes em que tentei ser profundo, mas acabei sendo raso.

E, por tudo isso, houve momentos em que na última carta o castelo caiu,

ou momentos em que uma pequena pedra foi o suficiente para deixar uma pirâmide em ruínas.

E, acima de tudo, e tudo se resume nisto, eu só queria alguma coisa que fosse verdade.