segunda-feira, 9 de junho de 2008

Passagem de ida. Eu fui e nunca mais voltei

E de novo aqui para questionar um pouco, os pensamentos que passam pela vida a vida inteira. Para que nos questionamos? Isso às vezes penso. As coisas que pensamos, será que são naturais, ou são da nossa cultura. E se assim for, então talvez seja um grande passo pensarmos não nas questões, mas no porquê delas. Será?
Enfim, as respostas evoluem, mas não são definitivas. É engraçado como meus conceitos mudaram. A respeito do tempo, da eternidade, comecei a pensar nela não como uma linha contínua para a frente, mas também para trás. E se estamos aqui agora, o nada de antes parece inexistente. E pensar então nisso dá uma idéia de tempo fixo, onde as coisas se movem dentro do próprio tempo, sem haver passagem. Não sei se estou me fazendo entender. Mas o pensamento de alguma coisa diferente já traz alguma coisa nova. Mas o que isso quer dizer em termos absloutos da própria questão? O que isso significa? Também comecei a ler, e ver alguns documentários sobre a física quântica, mecânica quântica (parece que essa é a nova moda agora, e me pego com vergonha disso, como quando citei o Raul Seixas, mas no fundo as críticas são imaturas e há maneiras e maneiras de se aprofundar em um assunto),
e algumas visões são bem abrangentes, abrindo possibilidades que não se pensavam antes. Então a influência do observador passa a ser determinante, não é mais um universo fatalístico, ou pelo menos não do antigo jeito. A interligação de tudo, que os místicos dizem ( e que é natural já que faz tudo parte de uma coisa só) é também comprovada quando um elétron parece estar em 2 lugares ao mesmo tempo, ou inesperadamente se comportando de outro jeito. A deformação que a gravidade exerce sobre o espaço e do próprio tempo, a teoria das cordas, enfim. Tudo é diferente e nos faz pensar diferente. E o que podemos trazer para essa vida aqui, que parece absurdamente tão distante disto? Quantas pessoas se interessam por essas coisas, que absolutamente são elas mesmas? E qual a relação que fazemos então com estas coisas novas e no que pensamos, e agimos?
E o espaço, existe um espaço? Como assim? Onde está o espaço? Então penso que de alguma forma, parece um mundo virtual, onde há algo (??!!!) e nem o espaço nem tempo são determinados. Mas o que isso quer dizer? Realmente do que isso importa? Procuramos um sentido, mas qualquer sentido seria qualquer um. Qualquer um como ordinário, porque ele só vem da pergunta e ele não precisa da pergunta. Ele é e só. Talvez. Ou talvez não seja compreensível. Ou não saiba perguntar.
Isso é difícil, porque às vezes se sente que não precisa de sentido. E quando isso acontece, talvez seja o sentido que damos à nossa vida que seja a resposta. E como também pode ser qualquer um, fica assustadoramente vazio. Então as coisas nunca mais serão as mesmas debaixo desse céu, dentro da sua cabeça. Você nunca mais vai rir das mesmas piadas, ou ter as opniões que tinha sobre as coisas. E nunca mais você vai olhar para as coisas da mesma forma. Tenho medo de ficar louco, catatônico. Lembro do Syd Barret, e nos vídeos em que ele já começou a entrar na loucura, percebe-se claramente no seu rosto que ele não está mais num mundo em que ele conheceu, e nem que a maioria das pessoas vive. É outro mundo, percebendo todas essas coisas e talvez muito mais. O que abre muito as portas para que a existência seja muito mais verdadeira se você não se perder. Porque tudo vai ter um olhar mais crítico sobre o que se faz e porquê. Não falo no sentido romântico de "nossa, aquele cara era louco, tinha outra cabeça, tomava ácido pra caramba". Uma visão imatura do que realmente é a experiência de abrir realmente a cabeça para as perguntas e possibilidades. Questionamento.
E é isso. Por que nos perguntamos? E se nunca tivéssemos pensado sobre isso? Ninguém tivesse falado de um Deus. Como seria? Existem coisas intrínsecas. Ou é tudo obra do acaso?
Podemos pensar diferente? Podemos compreender? O que nossas perguntas significam?
Lembro da música que fala "Além dos oceanos de pensamentos,
Onde as coisas realmente não são". E outras coisas no meio.
E o mundo em geral está muito entorpecido para pensar nisso. É melhor esquecer.
A gente se perdeu parece. Mas tudo isso é belo. Vamos só enxergar e tirar a nossa venda.
Estou lendo Alice no País das Maravilhas, o que tem de novo lá?

2 comentários:

Reformei uma bicicletinha disse...

Otávio e seus questionamentos roulos!
hehehehehe
quando eu tiver tempo vou ler, ok?

bjaum otávio.
saudades dos tempoas da facul.
=*

marcela sol disse...

"É melhor esquecer. A gente se perdeu parece. Mas tudo isso é belo. Vamos só enxergar e tirar a nossa venda."

Ah.. mesmo que não haja esquecimento nós nos perdemos, eu associo muito com a palavra caos, talvez nem seja isso mesmo, mas é o que eu sinto, todos se perdendo de alguma forma, antes fosse dentro de si para se acharem de vez, mas de tão complexo o ser humano ficamos assim, meio sei lá, perguntadeiros?


Na hora da venda lembrei do mito da caverna, todos com suas sombras, é preciso parir, dar à luz.

(?)

bjs
marcela sol