quarta-feira, 8 de outubro de 2008
O seu jardim
Não se exponha à ferida
Tente ao menos entender
Que você só tem a perder
E saiba que pro mundo mudar
Você precisa primeiro amar
Assim vai se convencer
Que quem tem que mudar é você
Deixe cada coisa a seu tempo
Como entrego minha sorte ao vento
E no desembaraço daquela estrada
Prossiga cantando à sua morada
Não se apegue a mim
Plante o seu próprio jardim
Então leve sua tristeza ao fim
Engula seu choro enfim
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Lembranças
domingo, 24 de agosto de 2008
Entendendo
terça-feira, 29 de julho de 2008
Só
E agora quase nada importa mais, por muitos caminhos passei. E nenhum desses é tão difícil quanto às antigas batalhas. O que vier vai ser totalmente novo.
Todo esse tempo talvez tenha vindo pensando o contrário do que deveria pensar. Embaraçoso perceber que o caminho sempre esteve aberto e nunca abri as portas. Pelo menos agora não existem nem mais paredes.
Estou sozinho, e só devo ficar. Muitos anos se passaram sem nem ser nada. Hoje, ao menos sou só.
No fundo acho que tudo isso que digo não passam de incertezas.
A única certeza é que não estou aqui para passar em vão. Devo levantar todas as cortinas. Abrir as janelas em meu corpo, deixar a luz sair. Iluminar à minha volta. E mesmo sem lugar para ir ter coragem de ir. Sem pretensão de chegar a qualquer lugar que não seja os lugares que vierem.
E neles permanecer e fluir também. Como as estações mudam e os dias passam. Assim quero que retorne eu dessa viagem.
Viagem que é só.
domingo, 27 de julho de 2008
Sonhos
quarta-feira, 23 de julho de 2008
All things must pass
Qeum já acordou correndo no meio da noite? Com o vazio no coração?
E quem teve a coragem de buscar.
Quando à noite, as questões correm profundas, é absurdo pensar em quem somos?
Lucidez
Não conseguir estar
Passar
Despercebido
Passar
Sem sentir
Tentar
Não chegar
Ouvir
Desligar
Ir
Perder
Jogar
Entender
Dois
Em pares
Talvez
Algo bom?
Voltar
Assunto
Não ouvir
Largada
Se perder
Na corrida
Importa
Ser o que é
Caminho
Não conheço outro
Entorpecido
Confortavelmente
terça-feira, 15 de julho de 2008
Caminhos
Então faço meu caminho, tento sempre ir além dos limites da minha inteligência, como se treina um músculo. Aos poucos. Então percebemos como as pessoas, apesar de ficarem velhas, ainda são imaturas. Param de pensar, se acomodam e levam a gente a acreditar neste triste fim. De ir levando. Pois não quero isso. Me levanto e me junto aos bons, acreditando sempre num caminho a seguir.
Agora, a realização é a meta. E, para quem não compreender isso, por mais que se viva os momentos, sempre vai olhar para o espelho e dificilmente vai saber responder "o que eu sou?".
sábado, 12 de julho de 2008
Ontem
Mais do que quando a encontrei
E eu ontem
Mais feliz do que quando a conheci
Ontem
As coisas não aconteceram como quis
Mas tudo era como queria
Eu estava lá
E agora não mais
Mas está tudo bem
Realmente bem
A tristeza que sinto por isso
É quase uma felicidade
Porque sei que ainda posso sentir
E melhor que antes
Por enquanto
Aquilo de quando a conheci
Foi mais uma linda noite
Linda como ela e eu, aquela noite
E mesmo que eu esteja tão confuso sobre tudo isso
Sobre se foi tão real assim
Ou que eu esteja iludido
Não me importa tanto assim
Não sei e precisava tentar
E ontem,
Ontem eu tentei
Agora eu sei
Mas só de ontem
Outro dia é outra estória
domingo, 6 de julho de 2008
Asas
E no meio ficou algo meio assim, meio estranho, um pouco espalhado, sem as partes
Algumas partes, pedaços do passado
Outras desejos de futuro
Pedaços de um e pedaços de outro
E aquele que sempre teve suas partes,
foi sempre solidário emprestando as suas
Logo suas asas ficam prontas
E faz a pergunta:
"e as suas, quando nós vamos usá-las?"
Um dia
Um Dia
Quem fez o que precisava?
Quem perdeu a chance que teve?
Quem viu a diferença do céu escuro para o claro?
Quem chorou pela situação?
Quem esteve presente a tudo isso e indiferente?
E o resto dos dias?
Dos dias que vieram antes de nós e que virão depois de nós,
e mesmo, os dias que passarão por nós?
Quem vai tentar e saber que todo dia é o dia certo?
E assim será até quando mudarem as estações,e mudarem de novo.
Foi você que encontrou o que procurou?
Foram os ventos que mudaram a direção?
Campos verdes e estradas em sonhos até você ir ao chão, procurando o Dia,
só que você não percebe que é o Dia que te encontra
Tantos dias, todos iguais
A caça
Senta, que agora não há porque ir
Vê e escuta, o Sol sempre nasce depois
Mas antes navegue nas noites, sob as estrelas
Isso acontece para poucos, e poucos são como você
Um farol no porto, uma ilha em pleno mar
A mais alta árvore da floresta
E a mais sutil brisa do deserto
Tudo isso é o que falam
Mas saber, não é acreditar
Então levante que agora é o momento
Cuspa o sangue de dentro da boca
Encontre a rocha mais forte neste solo
Lá de cima atire todos os seus arpões
E enquanto caem um a um
Sob o Sol e alguns durante a noite
Faça de tudo o seu próprio território
O lugar perdido
Eu acho que eu vim de volta
De onde eu só tenho lembranças
E hoje eu vejo o momento cego
Aprisionado em tempestade
Detrás do muro
E embaixo da terra
Julgado e condenado
Gritando sem nada
Hoje os dias não parecem iguais àqueles
Talvez eu nunca tenha ido
Mas tudo está mudado
Como um paraíso perdido
Um mundo sem passado
E tudo parecia já claro
Ainda era cedo
Para parar
Aquele lugar perdido
Ainda está lá fora
Eu quero ir
E não esquecer
Os caminhos trilhados
Eu sei que tenho minhas razões
Essa tarde
sonhava com um papel escrito por você, dizendo”sinto sua falta”,
mas como sou avesso aos sonhos(ou avesso às crenças),
vi naquilo um mau-agouro
Então talvez eu tenha trocado minhas crenças, mas não desisti, fui em frente
E, no sonho você era minha,
Diga-me, você passou pela minha janela?
Eu sei que deixei elas abertas,
mas não esperava que você fosse bater nela
Amanhã
Eu só quero que o amanhã chegue mais uma vez.
Eu quero que o amanhã chegue para eu poder acreditar
Para tentar, para correr os riscos, para conseguir
E, se eu cair no chão, levantar com uma jogada pronta
Ainda quero ver o amanhã, porque eu quero ver também o que vem depois dele
O que mais do mesmo vai acontecer?
Acredito no amanhã por um tempo, até quando ele chegar
Depois eu me esqueço dele
Só nele eu posso me sentir, ontem e hoje são pedaços.
E eu desapareço nele, porque além de tudo, só o amanhã quer me sentir
Então finco o pé nos amanhãs, eles são o melhor de mim
Nada vai me jogar de volta no hoje. Respire fundo essa noite.
Tudo espera o amanhã, sem se lamentar pelo confuso e indeciso hoje.
Castelo de Cartas ou Pirâmide de Vidro
Têm horas que eu me sinto não como quem partiu ou morreu, mas que eu não me sinto.
Têm horas que eu penso, mas não existo.
Têm horas em que eu estou rodeado de gente, mas não deixo de me sentir sozinho.
Há lugares em que minha mente está, mas nunca sei dizer onde nem porquê.
Há pessoas que me agradam,mas nunca estou com elas.
Penso coisas que são boas, mas nunca consigo senti-las.
Posso estar em todos os lugares, mas é indiferente se nunca permaneço neles.
Existem coisas que gostaria de compartilhar, mas nunca encontro quem eu gostaria que as escutasse.
Cometi erros dos quais me arrependi, mas nunca tive a chance de provar o contrário.
E houve erros dos quais me arrependi, mas nunca deixei de cometê-los novamente.
Aconteceram momentos em que tudo poderia se encaixar, mas eles nunca perduraram.
Algumas vezes eu ri, mas sempre acabei chorando.
Vezes em que tentei ser profundo, mas acabei sendo raso.
E, por tudo isso, houve momentos em que na última carta o castelo caiu,
ou momentos em que uma pequena pedra foi o suficiente para deixar uma pirâmide em ruínas.
E, acima de tudo, e tudo se resume nisto, eu só queria alguma coisa que fosse verdade.
domingo, 29 de junho de 2008
Além
Sem Big-Bang
Sem Big Crunch
Somos tudo isso
E também somos nada
Somos tempo
E somos espaço
E também não somos
Somos feito de tudo que há
Em uma combinação
Que se não é mera
É só um fato
Existimos e não precisamos existir
E por sermos tudo que há
Somos também tudo que não é
Somos a vida e somos a morte
E nem precisamos ser nem um nem outro
Para ser e para não-ser
Temer a morte é temer a nós mesmos
Pois somos tudo que há
Tudo são só conceitos
E não entendemos nada
Pois não nos reconhecemos nisso tudo
E, isso tudo
Somos nós
Eu, você
Em um
Minha coragem
Ela sente
Ela tem a vontade de ser livre
Quando surge algo indefinido
Não se esconde
Quando não sabe
Escuta
Se tem vontade
Tenta
E, assim no meio de todos
Me deixa ser eu mesmo
Me faz acreditar
Me deixa apaixonar
Me deixa sentir amor
E me faz me importar
Me deixa ser feliz sendo
Não por aquilo que conquistei
Mas pelo que acreditei que seriam minhas conquistas
Pelo fato de elas só existirem por aquilo que sou
Minha coragem é tudo isso
E nunca nada mais
sábado, 28 de junho de 2008
Tempo de Mudanças ( Estações)
Mas a cada segundo que penso,
mais rápido do que ele mesmo,
já surge um novo pensamento.
E quando o digo,
é uma pena que as pessoas não digam o que pensam,
ou que não pensem para dizer.
Que vivam sem pensar.
Pensando o que outros pensaram para elas.
Vivendo o que outros viveram a mais que elas.
Não importa só viver,
há que se sentir o que se vive.
E quando digo isso,
penso em viver muito mais ainda.
Sentir muito mais ainda.
Devemos ser muito mais que somos.
Buscar muito mais que buscamos.
Enfrentar muito mais que fugimos.
Desse cenário pálido que nos encontramos,
devemos trazer um novo.
Dessa vida reta que levamos,
que tracemos vários pontos em infinitas curvas.
A busca
Dentro da minha inquietude
Fui serenando
Na minha inseparável agitação
Foi tanta coisa
E ainda me dou conta
De que muito mais virá se eu buscar
Estou voltando a viver
Agora diferente
Na euforia da paz
Não me pergunto mais onde estive
Sinto que as portas se abriram
Depois do receio em chegar
Eu simplesmente fui
Em busca de mim mesmo
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Só
Sou só eu
Enquanto só
Só resta um trecho
Ou não resta só
E nem é só
Aqui começa a estória
Uma nova
Emaranhado no tecido
Do entre-espaço
Entre vidas
Entre tempos
Entre voltas
Vejo o passado
Rasgando a memória
Absorto em sua meta
Me fazendo ser só agora
E agora,
Sinto a nova presença
Das coisas que se despediram
E das que nem chegaram
E as que estavam esperando
Porquê só agora
E me vejo então
Só vejo eu
Sem fantasmas
Só eu
E o que vejo
Sou eu
O que nunca vi
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Medo
Devagar ando. Divagar ando. Ando. Um passo de cada vez. Uma queda de cada vez, uma morte de cada vez. Vôo. Sou figura. De significado sem linguagem. Um signo em tudo que sinto.
E também sou nada. Possível em vários quantos. Em vários quês. Não mais eu. Ali e dali, ontem e hoje, rastejando e cavando. Sem senso para ser. Vários seus. Caminhando pelas frestas e janelas abertas, procurando a brecha onde se encaixa essa possibilidade. A criação da probabilidade, o disparo e o alvo. O olhar e o objeto. O ritmo incessante e a procura lenta. Cada vez é qualquer coisa. Qualquer coisa mais.
Ela é agora. É a cortina que cai e a luz que assusta. Os olhos que procuram e a chama que cega. Tudo em verdade. Escondida num jogo. Ainda se recusa a cumprimentar. E o muro que caiu ainda precisa ser lembrado. Fui eu e através deles que deveria por certeza aprender. Hoje e ontem se reconhecem sem, no entanto, continuando os mesmos.
E a teia alcança o ombro, num reflexo de algo que era, num tempo uma lembrança. Figuras que são outras e continuam a ser as mesmas de antes. Como desenhos. Uma tela. E agora já não são mais. O balanço da cadeira marcha, junto com todos eles em todas as direções definidas pelos pintores e as pessoas que os aplaudiram. E agora seguro um dedal.
Se você a questão. Se é você quem está aqui. Ou se você está mesmo aí. Quando é você, e onde é você? Tantos fatos que observa, e talvez possa escolher qual deles está inclinado. Propenso a estar entre. Entre você.
E os tempos juntos se abraçam no espaço. Em uma caverna sem luz, em sonhos racionais, na infância do cientista, na conversão do santo, no isolamento do príncipe. Se abraçam e permeiam tudo e eles mesmos, submersos no mar em que nadam.
E eu volto, cada vez menos para o vazio do medo. Lembro do Sol que batia todos os domingos sentado naquela mesa. Ele me convidava.
domingo, 22 de junho de 2008
Aqui e lá, tantas e a mesma possibilidade
Se eu não estivesse aqui, onde estaria?
Se tudo fosse diferente, que diferença faria?
Há tantas possibilidades e, no fim
No fim seria tudo igual
Nos vários caminhos pra um só destino
Ali não é um lugar
Um lugar é só algo
Uma resposta a um movimento
E um fluxo da vontade
Seja sua ou seja minha
Qualquer
E quando eu souber
Se começo a aprender
Quando eu partir
Trilhando este campo
Escolhido por ser único
Vou pular
Um salto em vertigem
Vou voltar
A ter o nariz no chão
Com o corpo partindo
Minhas partes caindo
Na grama, na lama
No céu, no mar e nos abismos
Meu corpo brotando
Meu espírito impresso
E tudo deixará de ser muito
E tudo vai se enxergar como um
E se o céu ainda for o mesmo
Debaixo dele nunca mais seremos os mesmos
domingo, 15 de junho de 2008
Ela é
Clara ou escura
Ela é o tempo
Veloz ou lento
E aqui dentro
Riso ou lamento
Se penso
Loucura ou lucidez
Quando tento
Ímpeto ou coragem
E sua voz
Me desconstrói ou é firmamento
Na lembrança
Uma certeza ou um porém
Aquela noite
Um começo ou um momento
Suas mãos
Nas minhas ou em mim
Meus braços
Um abraço ou um refúgio
Sua vontade
Um desejo ou um passado
Ela é tanta coisa
Ou talvez agora seja nada
Mas quero muito além
Que entre toques e olhares
Beijos e afagos
Estivéssemos lado a lado
Entrelaçados e desatados
Entre nós, livres e amados
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Toque
Não, não é isso,
Eu preciso aprender a ser tocado,
Preciso tocando ser tocado,
Eu preciso me tocar
Posso ser tocado
Eu preciso tentar sentir o toque
Preciso tentar me tocar
O Toque precisa ser Sentido
O Sentimento precisa de toque
O Sentido só existe com o toque
Queremos ser tocados
E isso é tudo
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Passagem de ida. Eu fui e nunca mais voltei
Enfim, as respostas evoluem, mas não são definitivas. É engraçado como meus conceitos mudaram. A respeito do tempo, da eternidade, comecei a pensar nela não como uma linha contínua para a frente, mas também para trás. E se estamos aqui agora, o nada de antes parece inexistente. E pensar então nisso dá uma idéia de tempo fixo, onde as coisas se movem dentro do próprio tempo, sem haver passagem. Não sei se estou me fazendo entender. Mas o pensamento de alguma coisa diferente já traz alguma coisa nova. Mas o que isso quer dizer em termos absloutos da própria questão? O que isso significa? Também comecei a ler, e ver alguns documentários sobre a física quântica, mecânica quântica (parece que essa é a nova moda agora, e me pego com vergonha disso, como quando citei o Raul Seixas, mas no fundo as críticas são imaturas e há maneiras e maneiras de se aprofundar em um assunto),
e algumas visões são bem abrangentes, abrindo possibilidades que não se pensavam antes. Então a influência do observador passa a ser determinante, não é mais um universo fatalístico, ou pelo menos não do antigo jeito. A interligação de tudo, que os místicos dizem ( e que é natural já que faz tudo parte de uma coisa só) é também comprovada quando um elétron parece estar em 2 lugares ao mesmo tempo, ou inesperadamente se comportando de outro jeito. A deformação que a gravidade exerce sobre o espaço e do próprio tempo, a teoria das cordas, enfim. Tudo é diferente e nos faz pensar diferente. E o que podemos trazer para essa vida aqui, que parece absurdamente tão distante disto? Quantas pessoas se interessam por essas coisas, que absolutamente são elas mesmas? E qual a relação que fazemos então com estas coisas novas e no que pensamos, e agimos?
E o espaço, existe um espaço? Como assim? Onde está o espaço? Então penso que de alguma forma, parece um mundo virtual, onde há algo (??!!!) e nem o espaço nem tempo são determinados. Mas o que isso quer dizer? Realmente do que isso importa? Procuramos um sentido, mas qualquer sentido seria qualquer um. Qualquer um como ordinário, porque ele só vem da pergunta e ele não precisa da pergunta. Ele é e só. Talvez. Ou talvez não seja compreensível. Ou não saiba perguntar.
Isso é difícil, porque às vezes se sente que não precisa de sentido. E quando isso acontece, talvez seja o sentido que damos à nossa vida que seja a resposta. E como também pode ser qualquer um, fica assustadoramente vazio. Então as coisas nunca mais serão as mesmas debaixo desse céu, dentro da sua cabeça. Você nunca mais vai rir das mesmas piadas, ou ter as opniões que tinha sobre as coisas. E nunca mais você vai olhar para as coisas da mesma forma. Tenho medo de ficar louco, catatônico. Lembro do Syd Barret, e nos vídeos em que ele já começou a entrar na loucura, percebe-se claramente no seu rosto que ele não está mais num mundo em que ele conheceu, e nem que a maioria das pessoas vive. É outro mundo, percebendo todas essas coisas e talvez muito mais. O que abre muito as portas para que a existência seja muito mais verdadeira se você não se perder. Porque tudo vai ter um olhar mais crítico sobre o que se faz e porquê. Não falo no sentido romântico de "nossa, aquele cara era louco, tinha outra cabeça, tomava ácido pra caramba". Uma visão imatura do que realmente é a experiência de abrir realmente a cabeça para as perguntas e possibilidades. Questionamento.
E é isso. Por que nos perguntamos? E se nunca tivéssemos pensado sobre isso? Ninguém tivesse falado de um Deus. Como seria? Existem coisas intrínsecas. Ou é tudo obra do acaso?
Podemos pensar diferente? Podemos compreender? O que nossas perguntas significam?
Lembro da música que fala "Além dos oceanos de pensamentos,
Onde as coisas realmente não são". E outras coisas no meio.
E o mundo em geral está muito entorpecido para pensar nisso. É melhor esquecer.
A gente se perdeu parece. Mas tudo isso é belo. Vamos só enxergar e tirar a nossa venda.
Estou lendo Alice no País das Maravilhas, o que tem de novo lá?
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Antena
O acaso existe? E o que isso quer dizer? Não é óbvio que algumas coisas atraem as outras?
Pois acontece que se existe a procura pode vir uma resposta. Eu sempre tive felizes coincidências. O engraçado que ou elas aconteciam em momentos em que eu estava muito bem e em paz ( o que é isso hoje em dia??), ou em momentos em que estive bem mal. Engraçado que esses últimos dias não estive nada bem. Tentei falar com minha ex-namorada ontem no celular, e não deu certo. Não para ficar me remoendo de saudade, mas para escutar coisas inteligentes e palavras de conforto, porque simplesmente precisava. Hoje dormi depois do almoço e sonhei com ela (o que raramente acontece), e no sonho estávamos tão felizes que eu fiquei triste em pensar "como poderia estar tão feliz em um sonho e tão triste acordado?". E quase chorei dormindo. Estávamos lindos, rindo. Correndo e brincando como se fôssemos crianças. Ia tomar banho agora a noite, e pensei "vou entrar no msn, ver quem está online", e não é que ela estava online? Nunca vi ela online esse horário. Verdade. E não é que eu falei do sonho? E não é que ela dormiu depois do almoço? Será que nos encontramos? Será que ela veio trazer um pouco de paz? Será?
E tem mais.
Estava falando com outras pessoas e perguntando "como faço para divulgar o blog?". As respostas eram "não sei". Então a Juliana, minha ex-professora, mulher do meu orientador na faculdade, que me deu a maior mão no Trabalho Final, começa uma conversa comigo falando a respeito da semiótica. Eu deixei o endereço no meu nome e só. A gente conversa muito de vez em quando no msn. Ela disse que as primeiras frases do 1º post representavam essencialmente como a semiótica se estrutura. E conversamos sobre coisas muito interessantes, como há muito tempo não conseguia conversar com ninguém. E abriu um caminho. E é exatamente esse o ponto disso tudo.
Com certeza, exatamente o ponto disso tudo.
Estava em parte deprimido por não conseguir achar pessoas com quem conversar a respeito de todas essas coisas. E assim, não conseguia sair do lugar. Eu estava pensando mas não tinha muito mais o que plantar na minha mente para poder crescer. De livros não conseguia pensar em alguma coisa atrativa, e de pessoas nenhuma me acendeu uma lâmpada mostrando algum caminho. E em dois dias que direciono minhas antenas, capto duas coisas muito boas (Clarice e Juliana).
Mas qual a razão dessa busca?
É aqui que eu acho que é um ponto importantíssimo e que eu não posso desistir.
Todas as sensações que eu tenho no mundo dizem respeito a tudo que eu conheço. Acho brilhante quando na música "Breathe" do Pink Floyd, Roger Waters tenha escrito "all you touch and all you see/ is all your life will ever be" ( tudo que você toca e tudo que você vê/ é tudo o que sua vida sempre será". Eu interpreto da seguinte maneira: quanto mais entramos em contato com as coisas e o conhecimento, mais nos tornamos capazes de expandir nossos pensamentos. Parece óbvio. Talvez seja. Mas o fato é que eu decidi vir para São Paulo exatamente para isso. Aqui, tenho um universo muito diversificado, e aqui posso crescer muito, entrar em contato com muita coisa. Quando percebi que isso não estava acontecendo como eu queria, comecei um processo de enclausuramento. E o perigo é que eu já sobrevivi à uma espécie de morte. O desespero que eu conheci naquela época de minha vida não é algo que eu queira que volte.
Então queria pensar diferente para sentir diferente. E por onde começar? Quais frentes devo atacar? Qual é 0 meu exército? Eu já vivi períodos de êxtase. Por quê? Como? O que eu posso pensar de novo? O que eu posso sentir de novidade? O que me espera dentro de um novo quadro? Dentro de uma nova realidade? Serei eu mesmo? Ou no sentido mais bonito da palavra e do sentido será que é aí que vou encontrar eu mesmo?
Em tempo,
sorte de hoje no orkut:
Sorte de hoje: Seu destino mudou completamente hoje
domingo, 1 de junho de 2008
Olá visitante,
Estou iniciando aqui um novo blog, com intenção de promover discussões a respeito do que vejo no mundo e de como interpreto os acontecimentos. Com isso, pretendo ampliar meu ponto de vista com as diferentes opniões que tenham conteúdo e passar um pouco também daquilo que eu sinto.
Também um lugar onde se possa descobrir muita coisa, principalmente de música!
E obviamente, de quem você é....
Bem - vindos!
1º Passo
O 1º assunto então abrange talvez a razão inicial para este espaço. Na verdade, o que eu sinto é falta de algum lugar onde possa haver discussões relevantes sobre os assuntos, ou reflexões mais elaboradas. Enfim, um bom uso da nossa inteligência.
Às vezes me pergunto se eu estou nos lugares errados, ou se realmente o mundo está sofrendo uma falta de reflexão, se tudo está caminhando muito rápido e descartável, ou se sou eu quem se tornou assim e se perdeu. No que eu digo não é sobre um fato específico mas sobre quase todas as coisas que chegam à nós. Parece que o conhecimento intelectual se transformou em um adorno, que as pessoas exibem apenas para mostrar que têm. O que frequentemente acontece nesses casos, é que o conhecimento adquirido não é de fato compreendido, levando a uma reflexão em sua natureza mais profunda. Parece que ele mais separa do que agrega. E isso não é bom para todos nós. Perdemos muito. Perde quem age e perde quem sofre. Faz falta para o mundo que as pessoas realmente adquiram a compreensão das coisas das quais entram em contato. São pensamentos que poderiam ser produzidos por alguém, são atitudes que poderiam ser tomadas por alguém. São respostas que poderiam ser dadas por alguém. Reflexões que alguém poderia ter. E tudo isso também tem o caminho de volta. Porque se tudo isso acontecesse, tudo isso teria um destino. Alguém poderia compreender o pensamento produzido. Necessitar da atitude de alguém. Respostas para as perguntas de alguém. Nesse sentido que acho que perdemos. O mundo perde com a falta de reflexão.
Digo tudo isso também apoiado numa grande frase de Raul Seixas ( que diga-se, depois de tudo há um preconceito se alguém cita Raul, talvez um sinal da velocidade em que tudo se torna descartável, ou da necessidade de conhecer algo diferente) em que ele fala "a coisa mais penosa do nosso tempo é que os tolos possuem convicção e os que possuem imaginação e raciocínio vivem cheios de dúvida e indecisão".
Talvez tudo isso seja minha necessidade de produzir mais. Agir mais. Um pensamento de que devo algo ao mundo. Uma necessidade de sair desta engrenagem. Depois de algum tempo me peguei preso, perdido e deslocado em relação à maior parte das coisas que acredito. Não que seja horrível, é só onde não quero estar, ou de como não quero mais me sentir. Agora, se me perguntar onde quero estar, simplesmente não sei responder.
